
Nos capítulos anteriores:
A quase balzaquiana inquieta com o término da sua mais recente e longa invenção de amor decide viajar com um desculpa nonsense de trabalho. A quase balzaquiana sai decidida a não inventar novo amor, nem novo sexo (luto pela sua última invenção de amor). Caso encontre algo que se pareça com isso decide estabelecer alguns critérios: more na sua cidade e que tenha no mínimo a mesma idade que a sua. Vai sozinha, rumo a praias paradisiacas, cervejas geladas com o grande desejo de não falar com ninguém, acabar de ler seu livro e dar muitas risadas internas.
No capítulo de hoje:
A quase balzaquiana segue seu rumo, busca um taxi, pechincha a corrida e segue seu destino ouvindo as histórias de traição do taxista. Aparentemente o corno é o novo preto dessa estação. Achando a história meio tragi-cômica concorda com tudo que o taxista diz, com um sorriso atravessado e um sapo na garganta. E pensa “Se discordar do FDP ainda é capaz de me cobrar mais caro”.
Chega ao seu destino, um albergue de personalidade.
Aonde ir, oque fazer, falar ou não falar com estranhos? A mãe da quase balzaquiana a treinou muito bem, não confie em pessoas que não falam o seu idioma. A quase balzaquiana podia conversar com 10% dos hóspedes do albergue com segurança e com 90% dos hóspedes com aquela sensação de menina má. Contrariando seu desejo inicial de não falar com ninguém decidiu falar com 100% dos hóspedes e ter aquela falsa sensação de aventura, mas ia deixar isso para o outro dia estava muito cansada para qualquer esforço interativo. Fez mentalmente uma lista de prioridades daquele dia, banho, comida, livro, cama, bons sonhos.
Banho! Abre a porta e dá de cara com uma india pelada se escondendo. OOPS, Banheiro coletivo. “Sou menina não te precupa, I am a girls it is ok, I did not see anything I don´t have myself” com aquele inglês tosco aprendido assistindo friends na tv a cabo. O banheiro era limpo mas achou melhor usar havaianas. A india começa a puxar papo em bom português: “Vem da onde, faz oque, fica quanto tempo, quer ir em um show de comédia?”
“NÃO! Comédia aqui? Não!” pensou a quase balzaquiana, mas ironicamente disse “SIM!”
A india disse hora tal, roupa tal, custo tal e dois amigos tal. Hã?! Dois amigos oque? Repete aquela parte. “Dois amigos estão viajando comigo, tu deve te-los visto”
Hmmm amigos, adoro amigos pensou a quase balzaquiana.
Sairam do banho e foram conversar na janela do quarto dos 3. Os dois estavam no quarto fumando, e ouvindo música. Gaúcha?! Sim! Adoramos Rock gaúcho!Hmmmm eu tb adoro...rock gaúcho
A quase balzaquiana pensou na beleza de ser uma quase balzaquiana livre, fácil e apreciadora de rock gaúcho. AAAAA se esses meninos me pagarem uma cerveja...
Dois meninos, idênticos. Essa nunca foi a sua fantasia pensa a quase balzaquiana mas...interessante. Mais de cinco anos de diferença de idade configura meninos para a quase balzaquiana (todos maiores de 21, só para deixar claro que não seria um estupro, não mesmo pelo menos legalmente).
Tomara que esse meninos idênticos não sejam chatos, pensa. Odeia gente chata embora ela mesma reconheça seus frequente momentos de chatice atômica.
Nah ela estava determinada que nada acontecesse por estar de luto da sua última invenção de amor. Uma convicção frágil de fácil mudança em caso de persuasão.
Na saída do albergue mais um acréscimo ao grupo, outro brasileiro sem ter oque fazer.
5 pessoas no táxi. Dois sentados parcialmente no seu colo. Oque fazem, da onde vem, para onde vão? Diálogos introdutórios com um encoxamento básico. Piadas toscas foram também apreciadas. Hmm interessante, não são chatos, pelo contrário hmm... interessantes.
4 paulistas e 1 gaúcha perdida.
2 términos de relacionamentos recentes, 3 hippies wannabe.
Grupo heterogêneo. Sentaram para ver a comédia. A quase balzaquiana não enxergava o palco e não estava preocupada, mas se parecesse preocupada ...
“Senta mais perto” “mais perto, assim não vai enxergar”
Sentou bem pertinho e deram-se início aos trabalhos. Leia-se a cerveja e as caipirinhas chegaram, duas por cabeça.
Blá, blá, blá , blá, blá, blá Arquitetura, rock, tatuagem e cinema. Loki, mutantes, rita lee, yoko.
E começa o show de comédia. Hahahaha. Hahahaha. Nada demais pensa a quase balzaquiana, esse definitivamente não é meu tipo de humor. Mais uma cerveja, mais uma caipirinha! Comida? Não! Dilui o álcool!
Chuva torrencial de verão. Fuga da comédia, nah não vou me aproximar, deixa ele lá. Volta aos lugares, show de comédia hahahaha. Hahahaha. Hahahaha. Nada demais, algumas poucas risadas. Mais cerveja e roubo da caipirinha do menino. Ele ofereceu. Bêbada a quase balzaquiana inquieta com a falta de ação do menino diz claramente suas intenções e para ele se decidir enquanto ela vai no banheiro.
Volta do banheiro esquecida do que tinha dito e continua conversando. “Pessoas interessantes me interessam”. Voltam ao albergue com pitstop básico para compra de mais álcool. Na chegada de cara várias pessoas falando inglês, num processo básico de pré cópula.
Hmm análise rápida, australian boy com american woman, neozeland girl com japanese boy. A quase balzaquiana começa a conversar, e os outros também. Rapidamente a configuração muda. American woman com brazileiro sem ter oque fazer, India com australian boy, menino idêntico 1 e neozelandeza, quase balzaquiana e...nada.
O outro menino menino idêntico continua na volta mas sem ação.
Decide a ir ao banheiro e depois dormir. Preguiça, medo dos morcegos. “Quer companhia? Vou junto.” Ok.
Ele não acreditou mas quase balzaquiana realmente foi ao banheiro, segurando um rolo de papel higienico já que o albergue não disponibilizava. Muito romântico (romance é para as pessoas sem imaginação). Sai do banheiro e é agarrada, como há muito tempo não era. Sem protocolos. Com vigor, desejo, puxões de cabelo. Desejo de apertar, esmagar, contorcer. Um beijo diferente, um gosto diferente, uma lingua diferente. Aquele corpo cheio de desejo, sem ser quarta feira. Embora fosse quarta feira.
Sexo no banheiro? Até pode ser, mas no banheiro coletivo só de havainas que estavam no quarto.
“Vamos para o meu quarto”.
Tira a roupa, se agarram. Preliminares? “Só me come”. Tattoos, piercings, e alguém que se mantém firme mesmo podre de bebado. Sexo sem protocolos. Goza.Digno.
Pessoas interessantes me interessam, pensa a quase balzaquiana pós coito.
Meia hora depois acorda achando que está em uma roda punk. O menino chuta dormindo. Muda de cama.
Uma hora depois acorda de novo com o despertador. “Merda”levanta e se arruma, tenta acordar o menino, joga água na cara, torce, sacode, contorce, brinca de boneco de posto mas ele não acorda. O deixa lá deitado na sua cama, parecendo morto (mas respirando) e vai embora sem deixar contato. Pensando essa foi uma curta porém boa invenção de amor ou de sexo ainda em dúvida.
E assim termina o capítulo de hoje. Pode não ser uma grande história mas esse é mais um capítulo na vida da quase balzaquiana que acabou não terminando de ler seu livro.